Transpenumbra do Amargedom, de Silas Correa Leite
O
livro, Transpenumbra do Amargedom
“O
mundo vai acabar”. Quantas vezes se ouviu isso de antenas em pé e com o mórbido
instinto animal ligado? Um desastre nuclear provoca ruptura no eixo central da Terra. Como se
restou o planeta, dimensões paralelas quebradas, portais do inferno rompidos,
chuva torrencial de neutrinos, naves intergalaxiais vazando barreiras,
fronteiras se abrindo. Os ricos saindo em fugas multiorbitais. E a gentalha do
lodo do húmus radioativo - como pós-humanos que se restassem no sistema
corrompido - a deriva na própria via láctea. O sol exaurido, e ciborgues,
zumbis, marionetes, robôs, gárgulas, hologramas, bizarrices, fantasmas,
espectogramas, homens-máquinas, homens-árvores, e a nova geração de sub-humanos. O livro é isso, o esgoto
nuclear habitável. E o outro humano em
nós? Livro para ser lido com o GPS na mão, tornozeleira eletrônica sideral nas
canelas turbinadas, feito o autor também no piloto automático, em jorros
neurais destilando horrores. O inferno pode esperar? Dentro do caos há muitas
jornadas. Livro bom é quando todos os personagens morrem no final? O diabo mora
no desfecho. O fim do fim, nesses tempos tenebrosos de muito silício, infovias
efêmeras e pouco pão. O livro não romantiza o pouco humano nessa época em que
os macacos teriam vergonha de saber que depois deles viemos nós, bípedes,
nômades, sedentários, bucéfalos. Um pesadelo. Deveriam trazer os dinossauros de
volta? O escritor já carimbou o passaporte para o meteoro. Viver não é só abanar
o rabo, mas, antes de sermos extintos, devemos ligar os chips de nossa própria
espécie em decadência. A robotização do homem, a seleção da espécie
descontrolada, a automação desgovernada, o ser híbrido. A trans humanidade, a
distopia; um livro que também é thriller
noir. .
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